Antônio, representante da jovialidade e humildade de Deus na Terra

Frase para refletir:

“Quem não pode fazer grandes coisas, faça ao menos o que estiver na medida de suas forças; certamente não ficará sem recompensa” (Fernando Antônio de Bulhões ou “Santo Antônio”, professor e doutor, filósofo e teólogo, frade franciscano português, 1191-1231).

Santo Antônio era um homem de uma cultura intelectual fora do comum, revelada em toda sua obra escrita, bem como um admirável amor a Jesus e um profundo conhecimento dos escritos sagrados que lhe valeu a representação iconográfica com uma Bíblia na mão e Jesus menino ali sentado.

Mas foi a visão dos cinco primeiros mártires franciscanos vítimas dos muçulmanos que lhe fez sair de Coimbra onde lecionava e ir até a Itália conhecer o modo de vida dos frades menores (franciscanos) e lá conheceu pessoalmente São Francisco de Assis. Mas quem nunca sonhou ser grande; reconhecido e mundialmente famoso por suas façanhas e proezas? Quem nunca desejou ter poder, saber, bens, e tudo o que tem de bom e melhor nesta vida? Ou, quem nunca pensou em ser de fato alguém que possa deixar para a posteridade a marca de seu nome, dos valores que cultivou, e das coisas que acreditou e que lhe fez bem?

O ser humano tem essa tendência inata de sempre querer poder fazer grandes coisas por si, pelos outros, pelo mundo etc.. Só que no vento contrário a isso vem muitas tempestades e muitas oposições que arrastam para longe seu ânimo e sua vontade, especialmente, quando a frustração é do tamanho ou maior do que a energia entregue nessa decisão de querer e poder. Outras vezes, em nome das façanhas de grandes coisas, passa despercebida por ele as pequenas coisas, pois aparentam sem poder e sem força para mobilizar algo nele e nos outros. É como alguém que querendo mudar o mundo, a Sociedade, o Meio Ambiente, se vê como insignificante no seu modo de ser e agir cotidiano para enfrentar tamanha exigência. Fica anestesiado por achar que o que vem do outro lado como, por exemplo, violência, corrupção, injustiça, morte e insensibilidade, são maiores do que tudo o que acredita e faz.

Santo Antônio dá uma dica legal dizendo que depois de ter feito, ou tentado fazer tudo o que pode fazer de grandes coisas, e ter perdido as forças de poder, isso ainda não é tudo. É apenas um modo de ser, de poder e fazer. Existe outro, menos trilhado e menos acreditado, mas que, se buscado seriamente, pode dar mais efeito do que o primeiro, ou seja, aquele do poder fazer ao menos o que está na medida das forças. Esse “ao menos” significa tudo, tudo mesmo, da melhor maneira possível, com o que está ao alcance naquele momento e naquela situação.

Se você tem um centavo nas mãos não fique sonhando com cem reais. Use esse centavo no que pode e sabe, nem que seja para comprar uma balinha, mas faça! O ruim é ficar choramingando por ter “só” um centavo e não fazer nada, ou fazer algo com um centavo acreditando que aquilo não leva a nada. Quem faz isso perde até o que tem, ou seja, a última energia de investimento para fazer crescer algo dentro e fora de si. Não fica sem recompensa quem tem o modo de ser do fazer com pouco um muito. Esse é o modo de ser humano, finito, bem casado com o real da realidade. É o famoso “pé no chão”. E quem tem “pé no chão” não é avoado, nem orgulhoso (inflado), e nem prepotente. É humilde, livre, cordial e jovial com a Vida, assim como os Santos e as Santas.

Santo Antônio é um desses representantes da jovialidade e humildade de Deus aqui na Terra. E celebrar o seu dia nada tem de adoração de imagem ou de substituição do divino na fé cristã católica. Tem a ver com o estar atento com aqueles homens e mulheres que fizeram bem a sua parte como homens e mulheres que se deixaram amar por Deus e sua mensagem, e que amaram os demais em nome desse amor. Celebrá-lo é ter nele também alguém que nos inspira e nos ajuda a amar o que ele amou.

Bom Dia! Bom trabalho!

José Irineu Nenevê