12º Domingo do Tempo Comum, ano C

22 de junho de 2025

“Quem dizem que eu sou?” (Lc 9,18-24)

Neste 12º Domingo do Tempo Comum, Ano C, o Evangelho nos coloca diante da pergunta essencial de Jesus: “Quem dizem que eu sou?” (Lc 9,18). Na escuta dessa Palavra, somos chamados a voltar o coração para o centro de nossa fé e missão: reconhecer Jesus como o Cristo, o Ungido de Deus, que escolhe o caminho da cruz como expressão radical de amor.

Pedro confessa: “Tu és o Cristo de Deus”, mas ainda não compreende que a glória de Cristo passa pelo sofrimento, pela entrega e pelo dom total de si. Jesus revela que o Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado e morrer — para então ressuscitar ao terceiro dia. É esse mistério da cruz que nos desafia a assumir uma fé madura, corajosa e fecunda.

O Amparo como Resposta de Amor

No coração do Evangelho, ressoa o convite de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia e siga-me”. Seguir o Cristo é mais que admirá-lo; é assumir o seu modo de viver, amar, perdoar e servir. Esse seguimento, vivido com radicalidade evangélica, é a vivência do Carisma do Amparo, que nos convoca a ser presença de ternura, compaixão e cuidado nas realidades onde a cruz da dor, do abandono e da desesperança pesa sobre os ombros dos pequenos.

A espiritualidade das Irmãs Franciscanas do Amparo se alimenta da escuta da Palavra e da contemplação do Crucificado, que continua a sofrer nos corpos dos pobres, doentes, excluídos e esquecidos. Amparar é carregar com e pelos outros, é fazer-se irmã e presença que sustenta. É nesse dinamismo oblativo que a cruz deixa de ser peso solitário e se torna lugar de comunhão com o Cristo que salva.

O Servo de Deus Padre Siqueira viveu com intensidade essa entrega. Em suas palavras encontramos a força de uma fé que nasce da cruz e floresce em esperança.

Ele compreendia que a missão não é somente fazer, mas ser presença: presença que consola, que encoraja, que escuta, que se deixa tocar. Sua espiritualidade profundamente eucarística o unia ao Cristo sofredor e ressuscitado.

Inspiradas por essa herança espiritual, as Irmãs do Amparo continuam hoje a missão de tornar visível o rosto compassivo do Pai, nas pegadas do Cristo que salva pela cruz. O discipulado se traduz em gestos de cuidado, proximidade e escuta, atitudes que sustentam a esperança no cotidiano de tantas vidas.

Ser Amparo é Seguir o Cristo que Ampara

Neste domingo, a Liturgia nos recorda que a cruz não é fim, mas passagem. O seguimento de Jesus exige renúncia, mas gera vida plena. No Carisma do Amparo, somos chamadas a não fugir da cruz, mas abraçá-la com ternura, à semelhança do Cristo e de tantos santos e santas que deram sua vida no silêncio, na fidelidade e na compaixão.

Que Maria, Nossa Senhora do Amparo, caminhe conosco e nos ensine a sustentar com esperança a cruz de cada dia.

Sejamos, então, peregrinas do Amparo, com o coração no cuidado da vida e os olhos fixos no Cristo que nos chama a segui-lo pelo caminho da entrega.

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